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Advisor, mentor, tracker ou consultor: quem uma startup deve chamar
Os artigos sobre estes papéis costumam explicar um termo de cada vez. Um fundador precisa de outra coisa: saber quem chamar para um problema concreto. Abaixo, os quatro papéis comparados em três pontos — quem responde pelo resultado, se a pessoa segue um método e quem acaba por fazer o trabalho.
Quatro papéis numa tabela
| Papel | O que faz | Responde por | Como é pago | Quando chamar |
|---|---|---|---|---|
| Mentor | Conversa regularmente com o fundador, partilha experiência, olha para as decisões de fora | Formalmente por nada: é uma relação voluntária | Muitas vezes grátis, em programas de incubadoras, às vezes por uma participação | Quando precisa de alguém mais experiente com quem pensar em voz alta |
| Tracker | Conduz por um método: objetivo para o trimestre, lista de hipóteses, reunião semanal para ver o que foi feito e o que não foi | Partilha com a equipa a responsabilidade pelo resultado do trimestre | Avença mensal ou programa de aceleradora | Quando à equipa faltam ritmo e disciplina para testar hipóteses |
| Advisor | Responde a perguntas concretas da sua área, abre portas, às vezes participa em negócios | Pela qualidade do conselho na sua área | Opções, à hora ou avença mensal | Quando precisa de experiência no setor e de acesso a pessoas |
| Consultor | Entrega um projeto: pesquisa, relatório, recomendações, às vezes implementação com a própria equipa | Pelo resultado do projeto, por contrato | Por projeto ou ao dia | Quando precisa de um documento para investidores ou para o conselho, ou de uma equipa para implementar |
«Tracker» é um papel comum nas aceleradoras de língua russa e raro noutros lados; o equivalente mais próximo é um growth coach ou o gestor de programa de uma aceleradora. A definição mais precisa que encontrei vem de uma aceleradora: o tracker não dá respostas prontas, faz perguntas e partilha com a equipa a responsabilidade pelo resultado. O advisor, na mesma fonte, é um profissional com experiência no setor que aconselha sobre o seu tema e faz apresentações.
Três perguntas que decidem a escolha
- Precisa de um documento? Se o resultado tem de chegar à mesa de um investidor ou do conselho, precisa de um consultor. Os outros três papéis trabalham por conversa.
- Quem vai fazer o trabalho? Mentor, tracker e advisor deixam-no consigo; o consultor só o faz quando traz uma equipa de implementação. Se não há quem faça, os conselhos não ajudam: contrate primeiro quem executa.
- O que é que não está a funcionar, exatamente? Uma pergunta concreta — «que canais experimentar», «como organizar os lançamentos» — é o que um advisor resolve. As hipóteses inventam-se, mas nunca se testam — precisa de um tracker. Quer pensar em voz alta uma vez por mês com alguém mais experiente — um mentor.
Quantos conselheiros uma startup aguenta
Há um texto conhecido no Habr chamado «O que fazer quando a startup tem conselheiros a mais?», e no Hacker News a pergunta mais discutida sobre advisors é quanta participação lhes dar. As duas são sobre o mesmo: o advisor é chamado sem uma pergunta concreta, e depois ninguém sabe o que fazer com ele nem quanto vale. Uma regra que funciona: uma pessoa por pergunta. Quando dois aconselham coisas diferentes, decide o fundador pelos números do seu negócio, e não por quem tem o currículo mais longo.
Onde me encaixo nesta grelha
Sou CPO e CCO no ativo num grande banco e ajudo startups no tempo que sobra do trabalho principal. A palavra mais próxima do que faço é «advisor», com duas ressalvas. Não tenho um método com trabalhos de casa semanais: se precisa de ritmo, procure um tracker. Também não tenho relatórios de cem páginas: recebe uma lista de passos e uma forma de avaliar cada um, numa conversa ou numa apresentação curta. O que tenho é uma resposta a uma pergunta concreta, a partir do que eu próprio fiz, e a regra de dizer logo na primeira chamada se a minha experiência não lhe serve. Os formatos e as perguntas com que as pessoas chegam estão na página principal.