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Os programadores escrevem mais depressa com IA, os lançamentos não: para onde vai o tempo
As equipas com assistentes de IA enviam para revisão quase o dobro das alterações (pull requests), e o tempo de revisão cresceu 91 % — é o retrato da Waydev para 2026. As alterações escritas por IA esperam 4,6 vezes mais por um revisor e são aceites em 32,7 % dos casos, contra 84,4 % das escritas à mão. O código ficou barato; verificá-lo custa o mesmo. Abaixo, como isto soa dentro das equipas e o que fizemos.
Como soa dentro das equipas
No Reddit: «um sprint de duas semanas de código transforma-se em três a quatro semanas de revisão» e «temos quatro vezes menos testers do que programadores». No Habr: «as alterações multiplicaram-se, os revisores, na melhor das hipóteses, continuam os mesmos». No Hacker News, um programador com 20 anos de experiência anuncia que deixa de rever código gerado por IA e recolhe centenas de comentários.
As causas são duas. Primeira: rever é um trabalho diferente de escrever. O revisor tem de reconstruir o contexto que o autor ou o modelo tinham na cabeça, e esse tempo não encolhe com o tempo de escrita. Segunda: se o modelo percebeu mal o requisito, os testes dele fixam o mesmo erro. Testes a passar já não provam que o código faz o que era preciso.
O que mudámos
Contexto: seis equipas, 35 pessoas, três unidades de negócio de um grande banco. A condição principal do banco é que o código não saia de casa, por isso todos os modelos correm nos nossos servidores. Sem isso nada teria começado.
- Revisão por IA no pipeline, antes de uma pessoa. O modelo lê cada alteração segundo as regras do projeto e deixa comentários. Não bloqueiam a build: a decisão fica com o revisor, mas o código chega-lhe já sem os erros de rotina — o programador corrige-os antes da revisão.
- Testes por IA. Os testes automáticos de interface são escritos e corridos por IA; os testers verificam cenários em vez de clicarem à mão. A fila de testes era o segundo gargalo a seguir à revisão.
- Desenvolvimento com agentes. Parte das tarefas é escrita por um agente de IA; o programador define a tarefa e aceita o resultado. Foi isto que tornou barato testar hipóteses: uma versão simplificada de uma funcionalidade para teste custa quase nada.
- Filtrar hipóteses antes do desenvolvimento. As ideias fracas caem antes de chegarem ao código. Desenvolvimento barato convida a construir tudo, e sem este filtro a fila de revisão volta a crescer.
O resultado: o tempo médio da ideia ao lançamento caiu de um mês para uma semana, o custo por funcionalidade desceu e algumas funções nas equipas passaram a ser desempenhadas por IA.
O que eu verificaria na sua equipa
- Quantas horas uma alteração espera pela primeira revisão. Se for mais do que demorou a escrever, o gargalo está aqui.
- Quantos testers há por programador e onde se acumula a fila.
- Quem verifica o código de IA. Quem o gerou não deve ser o único revisor.
- Se a revisão por IA conhece as regras do seu projeto ou deixa reparos de estilo que toda a gente aprendeu a ignorar.
- Para onde vai o código quando o modelo é chamado, e se a sua equipa de segurança está de acordo.
O que a IA não resolve
Não há varinha mágica. O modelo acelera a escrita, a revisão e os testes, mas não decide o que construir. Filtrar hipóteses, falar com clientes e escolher o indicador pelo qual uma funcionalidade é julgada continuam a ser trabalho de pessoas — e é normalmente por aí que começo. Como isso funciona está na página principal.